quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Para a agenda - O centenário de Charles de Foucauld em Setúbal



No centenário de Charles de Foucauld (1858-1916), a diocese de Setúbal (através da comunidade local da Fraternidade dos Irmãos de Jesus e da Comissão Diocesana de Arte Sacra) leva a efeito programa de celebração em 1 de Dezembro: cerimónia religiosa presidida por D. José Ornelas e exposição de pintura preenchem a tarde do dia. Para a agenda. 

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Para a agenda - Mário Zambujal em Setúbal



Mais uma história do contador de histórias que Mário Zambujal sempre foi: Romão e Juliana, que será tema para conversa no programa "Muito Cá de Casa", a ter lugar na Casa da Cultura, em Setúbal, em 2 de Dezembro, pelas 22h00.

José António Cabrita - "Na Lonjura de Timor" apresentado ontem em Pinhal Novo



De Timor dizia o Livro de Leitura da 4ª Classe, com aprovação oficial e de seguimento universal, que era “a mais distante província portuguesa”, entrando por indicações curtas sobre a paisagem, a agricultura, o clima e as produções, tudo lavrado em meia página. Esta ideia da distância pretendia afirmar a extensão geográfica do que era o Portugal de então, bem para fora dos seus limites europeus da actualidade, passando por África e pela Ásia, uma distância que Camões, dirigindo-se ao rei, perifrasticamente registou como o tamanho de um “império” que “o Sol, logo em nascendo, vê primeiro”.
Estas duas dimensões, da distância e da poesia, afloraram logo que vi o título da obra de José António Cabrita que aqui nos traz hoje - Na Lonjura de Timor (Díli: Crocodilo Azul, 2016). Contudo, a ideia da “lonjura” como distância foi a que se impôs, ainda que eivada de travos de sonho, que foi o ingrediente que continuou a animar muitas das personagens que povoam este livro, independentemente das circunstâncias que as contornaram.
A distância, que pode ser medida por aquilo que há para percorrer, foi conveniente para as situações relatadas nesta obra - porque a lonjura é meio caminho andado para o afastamento e o esquecimento, porque a lonjura foi usada como castigo imposto por quaisquer deuses, muitas vezes ignorando-se o porquê da pena.
Do que trata o livro é-nos dito pelo seu autor logo na abertura - “Este texto é sobre certos acontecimentos passados na lonjura de Timor. É sobre uma parte dolorosa dessa maneira de ser e de fazer que, em sons lusos espalhados por esse mundo, se expressa. É sobre desterros de pessoas.” Umas frases adiante, alinha-se o método e confirma-se o assunto, dizendo-se que este livro é o conjunto de “umas tantas nótulas inacabadas, para certas cogitações sobre um tempo que foi de deportados em Timor, quando colónia portuguesa”.
“Nótulas”, diz o autor, usando um termo que vai repetir ao longo das duas centenas de páginas, como a lembrar ao leitor que se está perante um trabalho aberto, em curso. “Nótulas”, que vão dando conta de uma investigação, materializada em procura aturada, com recurso a jornais, escritos memorialísticos, estudos, arquivos, testemunhos orais e também conjecturas, numa tentativa de estabelecer caminhos e de resolver o jogo de descoberta e de lembrança de protagonistas que foram heróis das suas vidas e, em vários casos, referências para os outros.
E, quanto ao assunto, lá está a afirmação e a conveniência da distância - Timor como terra de deportados, lá bem longe, recolhendo aqueles a quem as ordens mandaram que saíssem do seu porto, do seu círculo de convivência e de vida, lá bem longe, em terra pouco conhecida e mesmo desamparada, fosse pelo desconhecimento dela, fosse pela distância.
Recua José António Cabrita até meados do século XIX, quando, em 1857, o governador de Timor Luís Augusto de Almeida Macedo enviou ao reino uma “relação dos degredados” que ali cumpriam sentença, pouco mais de uma dúzia, condenados com o argumento de serem ladrões ou vadios ou “resistentes a uma escolta”, de vários não se sabendo “a culpa que lhes fora imputada”. Eram estes homens provenientes maioritariamente de Portugal (uns condenados em Macau, outros em Goa), outros de Macau, um “africano”, um de Timor, sendo que de vários não consta a origem. O mesmo governador oficiaria ainda achando a “terra imprópria para degredados, uma vez que se mostravam muito fáceis os caminhos de fuga”.
Este mais recuado caso referido alimenta logo o estatuto colado ao deportado: alguém indesejado, alguém a ser proscrito da sociedade, alguém a quem não deve ser dada hipótese de regresso, um prisioneiro da distância e do isolamento, afinal.
Por Timor foram estando degredados militares, degredados de oposição ao poder e uma série de indesejados. Por lá passaram companheiros de Gungunhana, “índios ingleses” que se tinham revoltado contra o governo das Índias e outros revoltosos da Índia. Por Timor foram estando sobretudo opositores aos governos, pessoas que pensavam diferente - em 1896, uma lei da responsabilidade de João Franco estabelecia a deportação para as colónias para os “acusados de professar doutrinas de anarquismo conducentes à prática desses actos”.
E é por histórias da vida de algumas destas personagens que o livro de José António Cabrita se deixa levar. Ao mesmo tempo que o leitor vai tendo a noção dos exageros da decisão de deportação, vai-se também confrontando com as histórias de homens proibidos dentro de uma história maior que foi a da censura e do controlo das ideias, independentemente da cor do poder.
De alguns desses homens, pelo que significaram, este livro avança com percursos biográficos feitos palmo a palmo, muito numa prática de reconstituição assumida como difícil por falta de meios, seja por escassez de informações de pormenor, seja por desaparecimento ou destruição de arquivos, seja por desgaste da memória, ausências que dificultam o trabalho do investigador.
As biografias de deportação constantes nesta obra assentam em figuras que acabaram por ser emblemáticas pelo seu protagonismo, chegam recheadas de muitas outras pequenas histórias, numa “escrita de volteios”, como, quase no final, qualifica o investigador o seu trabalho. Mencionem-se então os casos: Antero Tavares de Carvalho, de Côja (Arganil), deportado para Timor em 1896 “por anarquismo”, que ascendeu a vários lugares da administração, tendo, quando findou o seu estatuto de deportado, chegado a presidente da Câmara de Luanda e, depois, a Governador-Geral interino de Angola (como nota de história local: um António Tavares de Carvalho, irmão deste Antero, exerceu as funções de tabelião em Lisboa, tendo sido, em 1909, aquele que certificou o testamento de José Maria dos Santos, homem bem ligado a Pinhal Novo); Joaquim António Pereira, conhecido como “Bela Kun”, de Sesimbra, várias vezes preso e acusado de envolvimento em atentado contra Ferreira do Amaral, comandante da polícia, e de ser “anarquista perigoso, comunista”, deportado para Guiné em 1925 e, dois anos depois, para Timor, onde viria a morrer em 1929; António Augusto Dias Antunes (que fora Governador da Província de Angola), Fernando Pais Teles de Utra Machado (que fora Governador de Angola e participara na Primeira Grande Guerra e fora Ministro das Colónias) e Helder Armando dos Santos Ribeiro (participante da Primeira Grande Guerra, ministro em diversas ocasiões e deputado), três militares acusados de envolvimento no movimento revolucionário de 26 de Agosto de 1931, deportados para Timor no início de Setembro; Manuel Viegas Carrascalão, de S. Brás de Alportel, tipógrafo, activista sindical, várias vezes preso, deportado em 1927, vindo a tornar-se numa figura influente do ponto de vista económico, social e político em Timor; Carlos Cal Brandão, advogado portuense, preso por se ter recusado a pagar multa aplicada por ter presidido a encontro das academias de três centros universitários, deportado em 1931 para Cabo Verde e, depois, para Timor, chegando a merecer prestígio mesmo entre adeptos do Governo e participando contra a invasão japonesa de 1945; Mário Lopes da Silva, são-tomense, opositor do regime, deportado em 1947, com residência fixada em Ataúro, depois de também ter sido expulso da Guiné, vindo a ser nome importante na economia timorense.
De todos os deportados, são estes oito que mais páginas enchem neste Na Lonjura de Timor. E o leitor vai sendo conduzido no desvendar dos passos destes protagonistas em avanço lento, cruzando histórias, em avanços e recuos, com olhares para o lado (por onde passam a política, as relações pessoais, a família, as tomadas de posição e intervenientes secundários). As biografias traçadas suscitam a curiosidade porque são um desfiar de histórias, numa reconstrução que o próprio investigador frequentes vezes assume como uma ousadia, afinal outra forma de dar conta das dificuldades sentidas no processo de investigação.
Por estas páginas vão correndo momentos da história de Timor também, particularmente quanto às formas de vida e a diversas etapas do seu desenvolvimento ou quanto à acção japonesa sobre Timor em 1945, tempo de sofrimento, opressão e destruição. Por estas páginas vai deslizando também uma corrente de afecto a Timor – o narrador (que o investigador também é) revela-se assiduamente, chamando a atenção ao leitor ou mostrando as suas dúvidas e descobertas, tornando-se presente num diálogo com o tempo e com a história, não escondendo uma verdade para si essencial, revelada a cerca de duas dezenas de páginas do final: a existência de “uma espécie de elo de ligação que é próprio do fascínio das coisas humanas, da construção e da reconstrução do espaço social onde essas coisas se realizam”.
Também podemos falar de ensinamentos colhidos nesta obra, como sejam: a reflexão sobre a efemeridade do poder, sobretudo se assente em questões de arbitrariedade; a reflexão sobre o poder em si próprio, não esquecendo a relação entre os pequenos poderes e o poder acima dos outros poderes; a reflexão sobre a responsabilidade da atribuição do castigo ou da pena, no caminho da separação de poderes e de competências (a política e a justiça não se podem corromper mutuamente); a reflexão sobre a liberdade de pensamento e sobre o contributo que a diversidade de convicções e de ideias pode prestar para o espaço e tempo comuns. Este é um livro que se aproxima também de um documento humano, mostrando a perfídia do rancor, muitas vezes disfarçada de poder, mostrando que os heróis rapidamente são transformados em vilões e vice-versa, mostrando o predomínio da vontade e a capacidade do ser humano em se adaptar e em ser agente de transformação.
Todas estas razões nos levam a considerar este Na Lonjura de Timor como um bom mergulho na memória, pondo a descoberto razões de fundo para uma tão percepcionada e tão presente imagem da distância em relação a Timor e dando a descobrir momentos de uma história que poderá ajudar a construir identidades e aproximações entre povos que têm vários elementos comuns, a começar nesta língua que, como disse um poeta que nunca foi a Timor, também é a nossa pátria.
(Na apresentação do livro, em Pinhal Novo, ontem,
data em que passaram 41 anos sobre a declaração de independência em Timor)

domingo, 27 de novembro de 2016

Para a agenda: Casas Religiosas de Setúbal e Azeitão



Actualizado em 29 de Novembro - A obra Casas Religiosas de Setúbal e Azeitão (Setúbal: LASA / Estuário Edições, 2016), coordenada por Albérico Afonso Costa, António Cunha Bento, Inês Gato de Pinho e Maria João Pereira Coutinho, retoma as comunicações de congresso que a LASA promoveu há tempos sobre o mesmo tema.
Em 3 de Dezembro, dia que também é de S. Francisco Xavier (patrono de Setúbal e referência ligada a esta cidade por proposta da ordem religiosa dos Jesuítas, congregação que também por aqui teve casa), a LASA vai apresentar publicamente a obra no Salão Nobre da Câmara Municipal de Setúbal, pelas 17h00. Um marco importante para a história religiosa de Setúbal e para a história local. Para a agenda!

Para a agenda - Lições de Timor, por José António Cabrita



O José António Cabrita escreveu um livro muito interessante sobre os deportados em Timor no século XX, com um título que contém algo de poético, Na Lonjura de Timor. Amanhã é a apresentação da obra em Pinhal Novo, no Auditório Municipal, tarefa em que participarei a título de amigo do autor e como leitor. Para já... gostei do livro e da escrita. O suficiente para me comprometer. Estão convidados, porque o autor merece e porque precisamos - oh, se precisamos! - de saber estas (e outras) histórias sobre Timor. Para a agenda!

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Ana Pacheco em fado - "Cantar é Preciso..."




Ana Pacheco envereda pelo fado porque... "cantar é preciso", como poetiza o título do álbum! E, no final do dia de ontem, que bom foi poder ouvir este cd acabadinho de sair, o primeiro cd da Ana! Suave, harmonioso, simples. Bonito. Uma espantosa juventude casada com a tradição!
São dez os temas que o compõem: "Estarei onde" (versão portuguesa de "Tango to Évora", de Loreena McKennitt), "Com que voz" (poema de Camões, com música de Alain Oulman), "Fado das Cerejas" (letra de José Gago e música de Fado Pintadinho), "Fado das Violetas" (palavras de Florbela Espanca e música de Augusto Hilário), "Fado Loucura" (letra de Frederico de Brito e música de Júlio de Sousa), "A Minha Oração" (poema de Mário Rainho e música de Menor do Porto), "O sonho e a Vida" (letra e música de Ana Pacheco), "Costumei tanto os meus olhos" (letra popular e música de Fado das Horas), "Voz do Fado" (poema de Arnaldo Ruaz e música de "Fado Santa Luzia") e "Tantos Fados, Tanta Vida" (poema de Manuela de Freitas e música de Fernando Alvim). A voz de Ana Pacheco é acompanhada por Sérgio Costa (guitarra portuguesa), Albano Almeida (viola), Filipe Martins (contrabaixo), Rui Rosado (percussão) e Miguel Batista (guitarra de Coimbra).
Ana Pacheco é professora (somos amigos, para declaração de interesses) e, quando nos conhecemos, logo confidenciou a sua paixão pelo canto e pelo fado, arte que tem trazido para várias realizações da escola e com que tem atraído muitos ouvidos. Nos intervalos, anda por aí a cantar, entre Setúbal, Palmela e Lisboa. Para este cd trouxe alguns nomes ligados à região do Sado - o Albano Almeida, na música; o Arnaldo Ruaz e o José Gago, nos versos. E trouxe poemas que agora aparecem musicados pela primeira vez. Uma escolha criteriosa e sensível...
Para ouvir! Muitas vezes!

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Para a agenda: Histórias de Tróia, com Rui Canas Gaspar



Histórias do outro lado do Sado, mesmo em frente a Setúbal, é aquilo que Rui Canas Gaspar se propõe contar em mais um dos seus títulos ligados à história local e às memórias. Em 26 de Novembro, pelas 18h00, em Setúbal, Tróia - Um Tesouro por Descobrir. Para a agenda!

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Para a agenda - Andersen em Portugal e em Setúbal há 150 anos



"Andersen, o Viajante de Contos", uma sessão para assinalar a passagem de Andersen por Portugal e particularmente por Setúbal. Foi há 150 anos, corria 1866. E... que procurava o contista dinamarquês, viajante insistente?
Na Biblioteca Municipal de Setúbal, em 18 de Novembro (sexta feira), pelas 21h30, numa realização de Synapsis. Para a agenda!

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

"Partimos. Vamos. Somos." - Verso de Sebastião da Gama intitula espectáculo musical - Para a agenda!



O último verso do poema "Sonho", de Sebastião da Gama (publicado no livro Pelo Sonho é que Vamos, obra póstuma de 1953), constitui o título de um espectáculo alusivo aos 300 anos do patriarcado de Lisboa, que estará em cena no Teatro Tivoli, em Lisboa, entre 18 e 21 de Novembro. 
Na justificação para o título, D. Manuel Clemente, Patriarca de Lisboa, esclarece: "Mais do que três palavras, indicam uma vida plena, como realmente acontece. Só é, quem "parte", de corpo e alma parte, e assim mesmo acontece. Como queremos para nós e para todos."
O primeiro verso do poema, "pelo sonho é que vamos", tornou-se numa das frases mais utilizadas para justificar a esperança e a vontade de se chegar a qualquer lugar, a qualquer objectivo. Será, para sempre, um verso que identificará o sentir do poeta que Sebastião da Gama foi. A escolha do último verso para título deste espectáculo musical não poderia ser mais eloquente: é que se a esperança nos é dada no início do poema, no seu final surgem o compromisso necessário e a convicção indispensável de cada um.
A encenação é de Matilde Trocado e o texto tem a assinatura do padre Hugo Gonçalves. Mais informação pode ser encontrada aqui. Para a agenda.

domingo, 13 de novembro de 2016

Para a agenda - Fernando Pinto do Amaral e "Manual de Cardiologia"



O novo livro de poemas de Fernando Pinto do Amaral está a chegar: Manual de Cardiologia. Com apresentação marcada para terça-feira na Buchholz, em Lisboa, pelas 18h30. Um livro para ser procurado nas estantes de poesia! Para a agenda!

sábado, 12 de novembro de 2016

Para a agenda - Nuno David e as manhãs perfumadas




"Numa manhã perfumada de um dia qualquer" é o título da exposição de Nuno David, que será inaugurada em 19 de Novembro, na Casa da Baía, em Setúbal, pelas 17h00. Pintor arrábido, Nuno David costuma enveredar por um traço repleto de matizes essenciais, quase tão primordiais quanto a Arrábida, ela mesma. A ver! Para a agenda!

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Para a agenda - Rogério Chora expõe em Setúbal



"Motivos Vários II" é o título da exposição de Rogério Chora, presente até 24 de Novembro no Clube dos Oficiais, em Setúbal. A ver! A obra de um "consagrado" pintor de Setúbal. Para a agenda!

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Para a agenda: António Galrinho em dois livros



António Galrinho, habitualmente a falar sobre arte, já com obra publicada, apresenta, em 12 de Novembro, não 1, mas 2 títulos de sua autoria na Biblioteca Municipal de Setúbal: Escritos de Juventude e Através do ar e da luz, ambos com a chancela da Temas Originais. Na Biblioteca Municipal de Setúbal, pelas 16h00. Para a agenda!

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Para a agenda - Rosa Nunes, um "Convite para Jantar"



Exposição de Rosa Nunes, artista setubalense, numa tripla de fotografia, instalação e video, na Casa d'Avenida, com inauguração em 12 de Novembro, pelas 16h00, um "Convite para Jantar". Para a agenda!

domingo, 6 de novembro de 2016

Da democracia e das escolhas, segundo Luís Afonso



O "Bartoon", de Luís Afonso, no Público de hoje, é eloquente: em nome da democracia, que devemos prezar, o que se nos tem apresentado no leque das opções é pouco, muito pouco. Depois, nada mais resta senão a escolha do "menos mau". Um circuito que acaba por não favorecer a democracia!...

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Para a agenda - Miguel Peres e banda desenhada em Setúbal



No Sábado, 5 de Novembro, pelas 16h00, na Casa da Cultura, em Setúbal, terá lugar a apresentação do livro Cemitério dos Sonhos, segundo título de banda desenhada de Miguel Peres.
Na apresentação, estará João Pereira "El Tvfer" a desenhar ao vivo e, no final, será sorteado o original pelos presentes. A exposição sobre o processo criativo por detrás do livro estará patente durante o mês de Novembro e será inaugurada também no sábado.
Miguel Peres é o argumentista de uma obra produzida em associação com os ilustradores brasileiros Rodrigo Martins dos Santos, Marília Feldhues, Rómulo de Oliveira e Cinthia Fujii.
Cemitério dos Sonhos é uma obra complexa, onde a componente onírica e o subconsciente marcam presença e permitem muitas e variadas leituras.
Para a agenda!

domingo, 30 de outubro de 2016

Para a agenda - Olhar o Sado com Alexandre Murtinheira



Alexandre Murtinheira embevece-nos com a fotografia pelos seus olhares diferentes, únicos. "A alma de um rio" vai ser a motivação para que ele fale das imagens em que se deixou enredar. Na sexta feira, 4 de Novembro, em actividade realizada pelo grupo Synapsis, no Museu de Arqueologia e Etnografia de Setúbal. Para a agenda!

Para a agenda - Luís Afonso em Setúbal



Luís Afonso habituou-nos no Público, montra onde se tornou indispensável. Na sexta, vai estar em Setúbal, na sessão "Muito cá de casa", em conversa orientada por João Paulo Cotrim e por José Teófilo Duarte. Para a agenda!

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Sublinhados - José Rodrigues Miguéis, "O Espelho Poliédrico"



O Espelho Poliédrico, de José Rodrigues Miguéis (Lisboa: Estúdios Cor, 1972), é um conjunto de textos em que o cronista se assume como “simples narrador de histórias reais e experiências inventadas” (como refere no intitulado “O galo, o estudante e o professor”), embora algumas vezes povoando esses mesmos textos com uma dose de memorialismo, mesmo que tenha registado algo como: “Não escrevo memórias, talvez nunca as escreva: a não ser transpostas em ficção, ou quando um flash de lembrança, como agora, me ilumina.” (em “O Corcundinha”). No final da obra, lá vem a “nota do autor” a explicar que as crónicas são um conjunto vasto e diversificado de “memórias, comentários e ficções” e a indicar a origem - publicadas no Diário de Lisboa, na sua maioria, entre 1968 e 1971, algumas inéditas e outras surgidas em várias publicações periódicas.

Sublinhados
Automóvel - “O automóvel é também um prolongamento mórbido da personalidade e da sensibilidade: ao mais leve contacto, risco ou amolgadela no verniz da carroçaria ou nos niquelados, pior que insultos ou facadas; se alguém se me atravessa no caminho, me obriga a desacelerar a marcha, me ultrapassa ou me rouba o precioso parking - eu pulo fora do carro, espumante e de punhos em riste, pronto a insultar, a agredir, a matar até, como é frequente, o transgressor dos meus sacratíssimos ‘direitos’. O carro fez dos homens autênticos artrópodes metalomecânicos, lavagantes desmiolados, impessoais, isolados entre si pela carapaça de duas toneladas de aço-lata com motor e quatro rodas, capaz de esmigalhar ossos, carnes e nervos, na qual andam metidos e conduzem (ou são conduzidos) sem verem os seus semelhantes: com a mesma anarquia de sentimentos, a mesma fúria, indiferença ou hostilidade com que andariam entre inimigos ou em terra conquistada.” (“Sua Majestade o Automóvel”)
Eternidade - “A Eternidade não é feita da soma dos dias, dos instantes, mas do aprofundamento de cada instante, de cada átomo, de cada ser, em que a própria matéria se dissolve.” (“Enterro de um Poeta”)
Homem - “É nas mínimas circunstâncias do quotidiano que os homens, por vezes, melhor revelam a sua têmpera.” (“O galo, o estudante e o professor”)
Juventude - “O tempo da mocidade é curto, mas denso de afectos e actividades.”  (“Levanta-te e Caminha”)
Mudança - “As coisas, quando mudam, é: a) para melhor; b) para pior; c) para ficarem na mesma. Esta saída é mais frequente do que se imagina.” (“Aforismos e Venenos de Aparício - III”)
Ódio - “Os ódios e rancores não se calam nem à beira do túmulo.” (“Requiem para Junqueiro”)
Palavra - “Vale mais um pensamento lúcido, embora sem palavras, do que a verborreia a mascarar o vácuo ou pobreza das ideias.” (“Aforismos e Venenos de Aparício - III”)
Política - “O a-politismo é quase sempre uma política de sinal contrário (ou resulta nela).” (“Levanta-te e Caminha”)
Vida - “A vida é feita de tanta coisa! E nem toda a sabedoria se aprende nos livros.” (“A garrafa de conhaque”)

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Para a agenda - Bocage com música



A cerimónia de entrega dos prémios da 18ª edição do Concurso Literário Manuel Maria Barbosa du Bocage vai ter lugar na sexta feira, 28 de Outubro, no Fórum Municipal Luísa Todi.
A sessão contará com a estreia de uma composição musical da autoria de Christopher Bochmann, "O Suspiro do Rouxinol", inspirada no texto bocagiano "Olha, Marília, as flautas dos pastores", peça encomendada pela Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão (LASA), que terá como intérpretes Suzana Teixeira (mexo soprano), Fernando Pernas (clarinete) e Ana Teles (piano).
Os agrupamentos "Paganinus", "Violetas" e "Orquestra de Violoncelos" do Conservatório Regional de Setúbal, intervirão também com interpretações de obras de Bach, Handel, Purcell, Telemann e Vivaldi.
Um programa a não perder! Para a agenda!

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Para a agenda - Rever a Festa da Ilustração em catálogo



O Catálogo Geral da Festa da Ilustração, iniciativa que já leva dois anos em Setúbal, vai ser apresentado publicamente na quinta-feira, 27 de Outubro, na Casa da Cultura, em Setúbal, pelas 19h00. Para a agenda.

Para a agenda - José-António Chocolate, poeta em Santa Eulália



José-António Chocolate apresenta o seu mais recente livro, Moinante de silêncios e de afetos, na sua terra, Santa Eulália (Elvas). Uma apresentação que vai ser uma festa. Com fado, petisco, poesia, livro e uma acção de solidariedade. No Pavilhão Multiusos Santa Eulália, em 29 de Outubro, pelas 21h00. Para a agenda.


Para a agenda - Hélène Mandroux em Setúbal


Experiências sobre a cidade, vivida(s) no real. A experiência dos outros - Montpellier - em Setúbal. Na Casa da Cultura, 25 de Outubro, às 19h00, com Hélène Mandroux e Michael Delafosse. Para a agenda.


A leitura e o prazer, por Miguel Esteves Cardoso



No Público de hoje (pg. 45), Miguel Esteves Cardoso escreve sobre a leitura e o prazer de ler. Vale a pena ler - por obrigação e por prazer!


sábado, 22 de outubro de 2016

Bob Dylan - O silêncio indesejado


Bob Dylan e o seu silêncio. Um  silêncio ruidoso, por mim o digo. E subscrevo a crónica da Margarida Fonseca Santos. Lamento o silêncio. Porque se pode não aceitar... mas diga-se.
Por respeito relativamente às instituições. Por respeito ao mundo. Por respeito aos que o apreciam. Só!

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Para a agenda - Jorge Silva Melo em Setúbal



Cinema, conversa e livro. Três num só. Num encontro com Jorge Silva Melo. Amanhã, na Casa da Cultura, em Setúbal, pelas 21h30, no programa "Muito Cá de Casa", com a responsabilidade de José Teófilo Duarte. Para a agenda!

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Bob Dylan, Nobel da Literatura 2016 - e então?




Corre grande rumor nas redes sociais quanto à atribuição do Nobel da Literatura a Bob Dylan. E depois? Porque a Academia surpreendeu? Porque é preciso chamar a atenção para valores diferentes daqueles que estão a governar o mundo e o "status quo"? Talvez se esteja mesmo a precisar de mudança, a clamar por mudança... assim o tempo e os acontecimentos sejam sinais!
Já em 1953 Winston Churchill (1874-1965) ganhou o Nobel da Literatura e... qual é a obra literária de que se fala do estadista? Na altura, a Academia Sueca justificou-se desta maneira: "mestria na descrição histórica e biográfica, bem como pela brilhante oratória em defesa dos valores humanos."
Quanto a Dylan, há poesia. O problema será haver música? Não rima a poesia com a musicalidade? E não haverá valores para um tempo que tem de mudar, forçosamente? E lá vem a justificação da Academia, segundo a imprensa: "por ter criado novas formas de expressão poéticas no quadro da grande tradição da música americana". Não terá isto a ver com a literatura?
Diga-se de passagem que também não gostei de ouvir o Sérgio Godinho a testemunhar na rádio que os que discordavam desta atribuição o faziam por "dor de cotovelo"... Do Sérgio esperava mais, pelo menos que não escorregasse nessa tão portuguesa desculpa da "dor de cotovelo". A justificação para Bob Dylan tem de ser  encontrada na sua obra e não no alheio. E a discordância também... Coisas de "capelas", não é?
Parabéns, Bob Dylan!

E, já agora, acompanhe-se "Blowin in the wind" com a letra...

How many roads must a man walk down,
Before you can call him a man?
How many seas must a white dove sail,
Before she sleeps in the sand?
How many times must cannonballs fly,
Before they're forever banned?
The answer, my friend, is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind

How many years can a mountain exist,
Before it's washed to the seas (sea)
How many years can some people exist,
Before they're allowed to be free?
How many times can a man turn his head,
And pretend that he just doesn't see?
The answer, my friend, is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind.

How many times must a man look up,
Before he can see the sky?
How many ears must one man have,
Before he can hear people cry?
How many deaths will it take till he knows
That too many people have died?
The answer, my friend, is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind.